Ground-clearing fires in the Amazon and respiratory disease/ As queimadas na regiao Amazonica e o adoecimento respiratorio

Citation metadata

De: Ciência & Saúde Coletiva(Vol. 17, Issue 6)
Editora: Associacao Brasileira de Pos-Graduacao em Saude Coletiva - ABRASCO
Tipo de documento: Article
Extensão: 5.487 palavras

Controles do documento

Main content

Resumo: 

The intentional burning of forest biomass commonly known as "ground-clearing fires" is an age-old and widespread practice in the country and is seen as a major contributor to global emissions of greenhouse gases. However, global awareness of their potential impact is relatively recent. The occurrence of large ground-clearing fires in the Brazilian and international scenarios drew attention to the problem, but the measures taken to prevent and/or control the fires are still insufficient. In the Amazon region, with distinct geographical and environmental features from the rest of the country, with its historic process of land occupation, every year the ground-clearing fires expose larger portions of the population making them vulnerable to its effects. In this context, this non-systematic review presents the papers written over the past five years about the fires in the Brazilian Amazon and respiratory illness. The main objective is to provide information for managers and leaders on environmental issues about the problems related to biomass burning in the Amazon region.

Key words Ground-clearing fires, Respiratory disease, Amazon forest, Air pollution

A queima de biomassa florestal popularmente conhecida como "queimada" e uma pratica recorrente e antiga no pais e se caracteriza como um dos principais contribuintes mundiais para a emissao de gases de efeito estufa. Entretanto, a consciencia global sobre seus possiveis impactos e relativamente recente. A ocorrencia de grandes queimadas no cenario brasileiro e internacional despertou a atencao para o problema, mas as medidas tomadas para prevenir e/ou controlar os incendios ainda sao insuficientes. Na regiao amazonica, com circunstancias geograficas e ambientais distintas do resto do pais, aliadas a um processo historico de ocupacao do territorio, o uso do fogo expoe a cada ano, parcelas maiores da populacao tornando-as vulneraveis aos seus efeitos. Neste contexto, esta revisao nao sistematica apresenta os trabalhos desenvolvidos nos ultimos cinco anos sobre as queimadas na Amazonia Brasileira e o adoecimento respiratorio. Tem como objetivo principal fornecer elementos para gestores e dirigentes ambientais sobre as questoes que norteiam os problemas relacionados a queima de biomassa florestal na regiao amazonica.

Palavras-chave Queimada, Doenca respiratoria, Floresta amazonica, Poluicao do ar

Texto completo: 

Introducao

A cada ano, o fogo na Amazonia brasileira atinge uma area dez vezes o tamanho da Costa Rica (1). Os incendios florestais e o uso do fogo em sistemas agricolas afetam o equilibrio dos ecossistemas, a saude humana, e consequentemente, o planeta.

Este equilibrio e influenciado pelo acelerado crescimento populacional, mudancas no padrao de consumo e intensificacao das atividades economicas e tecnologicas, capazes de exercerem pressoes sobre o nivel de qualidade de vida das populacoes expostas.

Caracterizada entre os principais contribuintes mundiais para a emissao de gases de efeito estufa, a queima de biomassa e uma pratica recorrente e antiga no pais. Entretanto, a consciencia global sobre seus possiveis impactos e relativamente recente.

Apesar de anos de estudos cientificos sobre os impactos dos poluentes atmosfericos em areas urbanas e a atencao da midia em relacao ao desmatamento e aos incendios florestais, acidentais ou intencionais, os potenciais efeitos a saude das populacoes tem sido pouco estudados pela comunidade cientifica (2).

As grandes queimadas em Borneu (1983 e 1997), Tailandia (1997), Indonesia (1997), Roraima (1997-1998), Mato Grosso (1998) e Para (1998) despertaram a atencao para o problema, mas as medidas tomadas para prevenir e/ou controlar os incendios ainda sao insuficientes (3).

Inserido neste contexto, esta revisao pretende fornecer elementos para gestores e dirigentes ambientais a fim de minimizar incertezas sobre as questoes que norteiam os problemas relacionados a queima de biomassa, em especial na Amazonia Brasileira.

Contexto Historico dos Desmatamentos e Incendios na Amazonia

Existem inumeros motivos para a degradacao da floresta, dentre os principais estao o corte seletivo, incendios (facilitados pelo corte) e atividades agropastoris. Os desmatamentos e as queimadas sao duas das maiores questoes ambientais enfrentadas pelo Brasil atualmente. Embora distintas, sao praticas tradicionalmente associadas, pois em sequencia a derrubada da vegetacao, quase sempre ha a queima do material vegetal.

Neste contexto, a floresta Amazonica permaneceu completamente intacta ate o inicio da era "moderna" do desmatamento, com a inauguracao da rodovia Transamazonica em 1970. Nos ultimos anos a taxa de perda florestal tem sido dramatica, cerca de 20% da floresta foi destruida, principalmente na regiao do "arco do desmatamento", que se estende do municipio de Paragominas, no Para ate Rio Branco, no Acre (4).

A intensidade e o uso indiscriminado das queimadas transformaram-se em um grave problema ambiental para o pais. Na medida em que se ampliavam as areas de pecuaria bovina, o emprego do fogo foi sendo incrementado. Os incentivos fiscais foram um forte condutor dos desmatamentos nas decadas de 70 e 80 e, desde 1991, vem aumentando com o processo de desflorestamento em um ritmo variavel, porem mais rapido (5,6).

Levantamentos realizados no ano de 1998, na regiao do arco do desmatamento, encontraram apenas 25% das areas desmatadas em propriedades iguais ou menores a 100 hectares. O que reflete o poder dos grandes empreendimentos na floresta (1).

Nas florestas da Amazonia, o fogo se espalha como uma linha de chamas de movimento lento no sub-bosque. As bases de muitas arvores sao queimadas a medida que o fogo se prolonga. Depois de varias queimadas, a area fica devastada a ponto de aparecer como desmatamento nas imagens de satelite (3,7).

Um dos grandes exemplos de perda florestal ocorreu durante o fenomeno do El Nino, em 1997 e 1998. O incendio de Roraima queimou uma area entre 11.394 e 13.928 [Km.sup.2] de floresta primaria intacta (8).

Do ponto de vista legal, o Codigo Florestal Brasileiro, instituido pela Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, classifica como bens de interesse publico as florestas e as demais formas de vegetacao, devido a sua utilidade e as terras que revestem. Esta Lei limita o exercicio dos direitos de propriedade sobre a utilizacao e exploracao de florestas, sendo as acoes ou omissoes contrarias as disposicoes deste Codigo consideradas como uso nocivo da propriedade (9).

As areas naturais protegidas sao compostas ainda por unidades de conservacao instituidas pelo poder publico. As Unidades de Conservacao, espacos territoriais sob regime especial de administracao, aos quais se aplicam garantias adequadas de protecao, constituem o Sistema Nacional de Unidades de Conservacao da Natureza (SNUC), instituido pela Lei 9.985/00.

Ferreira et al. (10) observaram que mais de 90% do desmatamento realizado entre 2001 e 2003 ocorreu em areas contiguas localizadas fora das areas protegidas, reforcando a importancia deste mecanismo de protecao.

O uso do fogo em florestas e demais formas de vegetacao e proibido. A excecao e o emprego do fogo em praticas agropastoris ou florestais quando justificado pelas peculiaridades locais ou regionais. O Decreto no. 2.661, de 8 de julho de 1998, regulamenta esta pratica mediante o estabelecimento de normas de precaucao. Especifica as situacoes nas quais o uso do fogo e proibido e as condicoes para a sua permissao. Trata, ainda, do ordenamento e da suspensao temporaria do emprego do fogo, por meio do escalonamento regional do processo de queima controlada, com base nas condicoes atmosfericas e na demanda de autorizacoes de queima controlada, para manutencao dos niveis de fumaca produzidos. Por fim, cria, no ambito do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovaveis --IBAMA, o Sistema Nacional de Prevencao e Combate a Incendios Florestais PREVFOGO, que tem por finalidade o desenvolvimento de programas destinados a ordenar, monitorar, prevenir e combater incendios florestais; desenvolver e difundir tecnicas de manejo controlado do fogo; capacitar recursos humanos para a difusao das respectivas tecnicas; e conscientizar a populacao sobre os riscos do emprego inadequado do fogo (9).

A Resolucao Conama no. 3 de 1990 e a legislacao federal que define os Padroes de Qualidade do Ar. Os limites correspondem a concentracoes de poluentes atmosfericos que, quando ultrapassadas, podem afetar a saude, a seguranca e o bemestar da populacao, bem como ocasionar danos a flora e a fauna, aos materiais e ao meio ambiente em geral. Estabelecendo o monitoramento da qualidade do ar como uma atribuicao dos estados, esta Resolucao define, ainda, os Niveis de Qualidade do Ar para elaboracao do Plano de Emergencia para Episodios Criticos de Poluicao do Ar, visando providencias dos governos estaduais e municipais, com o objetivo de prevenir grave e iminente risco a saude da populacao.

Mesmo com a definicao de padroes por meio de concentracoes medias de 1 hora, 8 horas, 24 horas ou anuais para diversos poluentes atmosfericos, a Resolucao Conama no. 3, alem de defasada em relacao aos limites estipulados pela OMS, possui aplicacao restrita em eventos de poluicao aguda decorrentes de queimadas como as que ocorrem na regiao amazonica. Tanto a escolha dos parametros quanto a definicao dos limites estipulados foram direcionados para a poluicao atmosferica tipica de centros urbanos (9).

Em sintese, o desmatamento na regiao e decorrente de um conjunto de forcas subjacentes, tais como: fragilidade institucional, politicas pu blicas (economicas e ambientais), agrotecnologicas e socioeconomicas (i.e.populacao, renda, demanda de alimentos), interesses governamentais que combinam entre si e agem sinergisticamente na manutencao desta pratica no estado (11).

Dessa forma, os desmatamentos e as queimadas nao sao um "problema ambiental" novo no Brasil. A consciencia generalizada da dimensao dos danos socioambientais que estas praticas acarretam no pais, tem crescido somente nas ultimas decadas e merecem investigacao e fiscalizacao.

Queimadas e Emissao de Poluentes

Queima de biomassa e um processo de combustao incompleta pelo qual o material reage rapidamente com o oxigenio do ar produzindo um intenso desprendimento de calor e luz. Para a sua efetividade sao necessarios tres elementos basicos, a saber: combustivel, comburente e temperatura de ignicao. A combinacao destes elementos produz uma reacao em cadeia que tem, como um de seus produtos, o fogo (9).

A equacao quimica demonstra os principais produtos gerados, sendo eles, o dioxido de carbono (C[O.sub.2]) e a agua:

[C[H.sub.2]O] + [O.sub.2] [right arrow] C[O.sub.2] + [H.sub.2]O

O elemento [C[H.sub.2]O] representa a composicao media da biomassa que se caracteriza por qualquer materia, de origem vegetal ou animal, utilizada como fonte de energia.

Sao produzidas outras especies quimicas como o monoxido de carbono (CO), oxidos nitrosos (N[O.sub.3]), hidrocarbonetos e particulas de aerossois, os quais sao incorporados na atmosfera sendo transportados e misturados (12). Estes elementos sofrem reacoes fotoquimicas que auxiliam a formacao de poluentes secundarios como o ozonio (O3), aldeidos e os peroxiacil nitratos, sendo estes mais toxicos do que seus precursores (13).

A evolucao da combustao da materia organica perpassa por quatro estagios: ignicao, chamas, brasas e extincao. Diversos fatores ambientais, em especial os climaticos, influenciam a queima da materia organica e suas emissoes. As condicoes para a manutencao do fogo sao controladas pelas caracteristicas da biomassa, umidade relativa, temperatura, precipitacao e velocidade dos ventos (14).

De acordo com Arbex et al. (2), cerca de 80% da queima de biomassa ocorre nos tropicos. Considerada a maior fonte de producao de gases toxicos e de efeito estufa do planeta, influencia quimica e fisicamente a atmosfera produzindo especies quimicas que mudam significativamente o pH da agua da chuva, afetando o balanco termi co pela interferencia na quantidade de radiacao solar refletida para o espaco.

Uma vez na troposfera, o transporte destes poluentes se da de forma mais eficiente de acordo com as velocidades do fluxo do ar, deslocando-os para regioes distantes dos locais de emissao. Estes deslocamentos, ao longo do tempo, produzem alteracoes nos ciclos biogeoquimicos naturais e na dinamica de nutrientes tanto das regioes emissoras quanto nas receptoras, transformando o problema antes local em global (14).

O Monitoramento Orbital de Queimadas

O gerenciamento de queimadas engloba todas as atividades necessarias para a protecao e a manutencao dos recursos florestais pautandose na prevencao, controle, definicao antecipada de risco e supressao de incendios. Em contraste aos riscos geologicos e hidro-metereologicos, as queimadas podem ser previstas, controladas e, em muitos casos, evitadas (15).

A extensao espacial da ocorrencia de queima de biomassa em areas tropicais torna o sensoriamento remoto por satelites a mais viavel forma de controle e prevencao destes eventos (14). Representa uma poderosa ferramenta para a compreensao da dinamica do uso da terra e do desmatamento, assim como seus impactos ecologicos e sociais, alem da reducao dos custos de combate e atenuacao dos danos (16,17).

Segundo Guimaraes (18), a tecnica de sensoriamento remoto pode ser definida como: conjunto de tecnicas que permite a coleta de dados dos recursos naturais terrestres ou de seu meio ambiente, atraves de sensores a bordo de plataformas em altitude, que captam o fluxo de radiacao eletromagnetica emitida ou refletida pelos alvos, convertendo-os em um sinal passivel de analise.

A obtencao de dados por esta tecnica de monitoramento e relativamente recente, datando do inicio do seculo passado, e apresentou grandes avancos, em funcao dos conhecimentos adquiridos no periodo pos segunda guerra mundial. A partir da decada de 70, o exito dos primeiros programas de sensoriamento orbital resultou na utilizacao operacional e sistematica de dados pela sociedade civil, tendo vasta aplicabilidade pela comunidade cientifica. Dessa forma, o lancamento de satelites destinados, em especial, ao gerenciamento e monitoramento de recursos naturais, propiciou uma rapida evolucao dos sensores (9).

Segundo Phulpin et al. (19) as imagens de satelite tem sido utilizadas para o monitoramento dos incendios florestais tanto no aspecto global, es tudos climaticos; como regional, para a avaliacao de impactos das queimadas.

De acordo com Anderson et al. (20) ha duas linhas de pesquisa relacionadas a deteccao das queimadas pela tecnica de monitoramento: uma voltada a deteccao dos focos de calor, importante para a definicao da sazonalidade, frequencia e variacoes anuais de queima; e a outra relacionada a espacializacao das queimadas, pela quantificacao da extensao das areas afetadas por este evento.

No Brasil, o monitoramento de queimadas via sensoriamento remoto, iniciou em Julho de 1987, com a implementacao do projeto SEQE Sensoriamento Remoto de Queimadas por Satelite, apos varios acordos entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) (10).

A deteccao de focos de calor na regiao do cerrado e floresta tropical do Brasil foi desenvolvida por Pereira em 1981, com posterior implantacao por Setzer e Pereira em 1991, da tecnica de forma operacional no INPE. Para o monitoramento utilizaram o radiometro AVRHH (Advanced Very High Resolution Radiometer) a bordo dos satelites NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) (14).

O sistema operacional do INPE para deteccao dos focos de calor envolve cinco etapas, a saber: recepcao da imagem, selecao das queimadas na imagem, obtencao das coordenadas geograficas a medida que a imagem e analisada, elaboracao e envio dos produtos (21-23).

Desde entao, o sistema de deteccao de incendios florestais vem sendo aperfeicoado pelo INPE, com obtencao de focos de calor por meio de imagens termais dos satelites polares TERRA, AQUA, da serie NOAA e dos satelites geoestacionarios MSG e da serie GOES. Em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovaveis (IBAMA), e com a incorporacao do IBDF, o monitoramento dos incendios passou a ter enfase na regiao Amazonica com a criacao do Programa de Prevencao e Controle as Queimadas e aos Incendios Florestais no Arco do Desflorestamento (PROARCO). A atencao para a regiao amazonica se deve as queimadas descontroladas de 1997 no sul da Amazonia e em marco de 1998 em Roraima.

Segundo Souza (9) dentre as inovacoes do sistema, destacam-se: mapas de risco de queima da vegetacao observado, previsto e climatico; banco de dados de queimadas datando de 1992; expansao do monitoramento das queimadas e produtos para varios paises vizinhos ao Brasil; pagina de previsao de tempo da Amazonia; visualizacao do posicionamento dos satelites utilizados; informacoes sobre quantificacao e dispersao de emissoes de queimas; focos em Unidades de Conservacao e areas especiais; servicos de alertas para usuarios cadastrados e; melhoria na resolucao dos diversos mapas e produtos.

Foco de calor ou pixel quente e a expressao utilizada para interpretar o registro de calor captado da superficie do solo pelo satelite imageador. O sensor capta e registra qualquer temperatura acima de 47[degrees]C e a interpreta como sendo um foco (24).

De acordo com Pereira (25) existem tres fontes de radiacao envolvidas na deteccao de incendios:

1) Emissao pelo proprio incendio: substancias em combustao;

2) Emissao da reflexao da area em que ocorre o incendio, juntamente com os residuos da combustao;

3) Emissao e reflexao provenientes de outras fontes: solo exposto ou rochas nuas, influenciando no processo.

Sendo assim, um material em chamas emite energia na faixa-termal de 3,7 urn a 4,1 urn do espectro otico. Para a deteccao dos focos sao utilizadas imagens que tenham esta faixa caracteristica e nestas selecionam-se os elementos de imagem (pixels) com maior temperatura, saturando o sensor (26).

Os Efeitos na Saude

A Organizacao Mundial de Saude (OMS) (27) em documento elaborado para eventos relacionados a incendios florestais destaca a saude como dependente de um ambiente saudavel, evidenciando a necessidade em direcionar o problema das queimadas a um contexto global de mudancas.

Entretanto, apesar de toda a literatura disponivel sobre a relacao saude e poluentes atmosfericos em centros urbanos, poucos sao os estudos que abordam os efeitos a saude das populacoes expostas a fumaca das queimadas, principalmente na regiao Amazonica.

Tal fato pode ser explicado, pois pesquisas relacionadas as queimadas devem considerar a influencia de fatores exogenos abioticos que poderiam ter um ou mais efeitos diretos e indiretos com consequencia aos ecossistemas, alterando o equilibrio saude/doenca na regiao afetada. Ou seja, inumeras variaveis que podem influenciar a ocorrencia de agravos a saude e separa-las para determinar o efeito isolado e bastante dificil, recomendando a existencia de metodologias especificas para cada caso (27).

A classica figura de piramide dos efeitos a saude da OMS (Figura 1) ilustra os principais relacionados as queimadas e a parcela da populacao exposta. Em linhas gerais quanto mais serio o desfecho menor sera a populacao atingida.

Dessa forma, a OMS28 preconiza quatro abordagens basicas para tratar dos riscos a saude devido a emissoes de queimadas, sendo elas:

* Caracterizacao da magnitude e da composicao das emissoes e suas transformacoes durante o transporte;

* Quantificacao de concentracoes resultantes de poluentes toxicos na atmosfera de areas povoadas;

* Avaliacao de cenarios provaveis da exposicao para populacoes afetadas (ambientes fechados e abertos);

* Avaliacao de riscos de saude para as exposicoes humanas.

Os Estudos Nacionais

Tanto nos paises desenvolvidos como em desenvolvimento as doencas do aparelho respiratorio representam uma elevada proporcao de morbidade e considera-se que 60% das doencas respiratorias estejam relacionadas aos poluentes ambientais (29).

A vulnerabilidade biologica de criancas e idosos em relacao a poluicao atmosferica decorre de peculiaridades fisiologicas. Na crianca, fatores como maior velocidade de crescimento, maior area de perda de calor por unidade de peso, elevadas taxas de metabolismo em repouso e consumo de oxigenio, possibilitam que os agentes quimicos presentes na atmosfera acessem suas vias respiratorias de forma mais rapida em comparacao aos adultos. Nos idosos, fatores relacionados a baixa imunidade e a reducao da funcao ciliar contribuem para aumentar a vulnerabilidade para o adoecimento respiratorio relacionados aos poluentes do ar.

A seguir sao apresentados os estudos desenvolvidos no Brasil no periodo de 2007 a 2011 relacionados aos eventos de queima de biomassa e incendios florestais e os efeitos a saude.

Na cidade de Rio Branco, capital do Acre, Mascarenhas et al. (30) desenvolveram um estudo ecologico em funcao da elevada concentracao de fumaca na cidade no mes de Setembro de 2005. Foram avaliados a relacao entre a concentracao diaria de [PM.sub.2,5] e o numero de atendimentos diarios de emergencia por doenca respiratoria. Observou-se que a concentracao de [PM.sub.2,5] ultrapassou o limite de qualidade do ar durante 23 dias. O numero de atendimentos em criancas menores do que 10 anos aumentou e observou-se uma correlacao positiva entre a concentracao do material particulado e atendimentos de asma.

Souza (9) desenvolveu um estudo ecologico tambem no municipio de Rio Branco, Acre para o periodo de 2000 a 2006 relacionando o aumento dos focos de calor captados pelos sensores AVHRR/NOAA com as internacoes hospitalares em criancas menores de quatro anos e idosos com idade superior a 65 anos. Observou-se uma relacao entre o aumento do numero de internacoes em comparacao a quantidade de focos de calor observados.

Em estudo transversal realizado no municipio de Tangara da Serra, Mato Grosso, regiao dentro do arco de desmatamento, Rosa et al. (31) analisaram as internacoes hospitalares por doencas respiratorias em menores de 15 anos de idade em uma area com elevados niveis de poluicao ambiental, no periodo de 2000 a 2005. Observou-se que as taxas de internacao por doencas respiratorias nesse grupo etario foram de 70/ 1.000 criancas. No periodo de seca (Maio a Outubro) houve um aumento de mais de 10% nas internacoes em comparacao ao periodo de chuva (Novembro a Abril). As principais causas de internacao foram: pneumonia (90,7%) e insuficiencia respiratoria (8,5%). Em menores de 5 anos de idade, as internacoes por pneumonia foram quatro vezes o esperado para o municipio. Os menores de 12 anos foram mais frequentemente internados, com incremento medio de 32,4 internacoes por 1000 criancas a cada ano.

Em pesquisa desenvolvida por Castro et al. (32), os autores analisaram a tendencia da mortalidade por doencas respiratorias em idosos no estado de Rondonia, para o periodo de 1998 a 2005, epoca de intensificacao das queimadas na regiao. Utilizaram como variaveis a taxa de mortalidade por Doencas do Aparelho Respiratorio (DAR) e a Doenca Pulmonar Obstrutiva Cronica (DPOC) e o numero de focos de calor. Os resultados encontrados explicaram de 50% ate 80% das mortes por DAR em idosos na regiao, sendo estas possivelmente relacionadas as queimadas. Consideraram, contudo, as complexidades de determinacao de obitos por doencas respiratorias neste grupo etario, em funcao de serem portadores de patologias cronicas e debilidade imunologica.

Ignotti et al. (33) realizaram um estudo ecologico com objetivo de observar a associacao das hospitalizacoes por doencas respiratorias em todas as idades e internacoes provenientes de complicacoes do parto em relacao ao indicador de exposicao ambiental apresentado como porcentagem anual de horas (AH%) de [PM.sub.2,5] em todas as microrregioes da Amazonia Brasileira. Observou-se maior associacao do indicador de exposicao com as internacoes entre os idosos ([beta] = 0,10). Para cada ponto percentual de aumento no indicador de exposicao, houve aumento de 10% na taxa de hospitalizacao para este grupo, 8% em internacoes de criancas, e 5% para a faixa etaria intermediaria, admitindo ajuste por IDH e numero medio de hemogramas. Contudo, nao foi encontrada associacao entre AH% e a taxa de hospitalizacao por parto.

O estudo ecologico de serie temporal realizado por Carmo et al. (34) no municipio de Alta Floresta, Mato Grosso do Sul objetivou estabelecer a relacao entre os efeitos a curto prazo da exposicao ao [PM.sub.25] e os atendimentos ambulatoriais por doencas respiratorias em criancas e idosos no municipio. O autor encontrou um incremento de 10 [micro]g/[m.sup.3] nos niveis de exposicao ao material particulado esteve associado a aumentos de 2,9 e 2,6% nos atendimentos ambulatoriais por doencas respiratorias de criancas no 6[degrees] e 7[degrees] dias subsequentes a exposicao. Nao foram encontradas associacoes significativas nos atendimentos de idosos.

Rodrigues et al. (35) descreveram a distribuicao espacial da taxa padronizada de internacao por asma em idosos na Amazonia Brasileira. Observou que as internacoes apresentavam tendencia decrescente ao longo do periodo estudado, bem como importante variacao sazonal com predominancia deste evento durante o periodo seco. Ressaltou tambem que ao comparar o periodo seco ao periodo das chuvas, as internacoes aumentavam em ate tres vezes, com taxas mais elevadas em Rondonia (5,8 [per thousand]) e Mato Grosso (3,3 [per thousand]).

O estudo desenvolvido por Silva (36) em Cuiaba, Mato Grosso teve como objetivo investigar os efeitos da exposicao ao material particulado originario de queimadas sobre a saude de grupos populacionais sensiveis. Concluiu que as emissoes de [PM.sub.2,5] estao relacionadas a maior prevalencia de internacoes por doencas respiratorias em criancas nos municipios do estado de Mato Grosso. Os niveis de [PM.sub.2,5] tambem foram associados a ocorrencia diaria de internacoes por doencas respiratorias em criancas em Cuiaba e a ocorrencia de BPN em municipios selecionados do estado de Mato Grosso.

Na pesquisa desenvolvida por Andrade (37) no municipio de Manaus, Amazonas a relacao entre exposicao ao [PM.sub.2,5] e a ocorrencia de internacoes hospitalares por doencas respiratorias nao se tornou tao evidente. O autor observou que as internacoes hospitalares em Manaus estao mais associadas as condicoes meteorologicas. Entre tanto, ressaltou que a regiao de Manaus apresenta baixas concentracoes do material particulado em relacao a porcao sul da regiao amazonica o que poderia influenciar em seus achados.

Oliveira (38) realizou uma avaliacao de risco da exposicao ao [PM.sub.2,5] em criancas de 6 a 14 anos residentes no municipio de Tangara da Serra, Mato Grosso no ano de 2008. Observou que elas incorporaram uma dose potencial media de [PM.sub.2,5] de 2,05 ig/kg.dia (IC 95%: 1,91-2,18) no cenario da seca e 0,32 ig/kg.dia (IC 95%: 0,31-0,34) no cenario de chuva. Concluiu que durante a estacao da seca, a exposicao aos niveis de [PM.sub.2,5] representou risco toxicologico para criancas entre 6 a 14 anos residentes em areas de queima de biomassa (Quadro 1).

Consideracao final

E de extrema importancia o conhecimento sobre os impactos das queimadas sobre a saude humana. As informacoes devem ser organizadas, repassadas e discutidas nao somente entre as autoridades locais, mas principalmente junto as equipes multidisciplinares, permitindo o monitoramento e a tomada de decisao frente aos problemas ambientais e de Saude Publica levantados. A instituicao de medidas para promocao da saude, acompanhamento dos fatores de risco, identificacao precoce de casos e definicoes de estrategias, pode possibilitar a reducao da vulnerabilidade dos sistemas socioambientais, capacidade de organizacao dos servicos e melhor aproveitamento dos recursos disponiveis (28,40,41).

Colaboradores

KS Goncalves, HA de Castro e SS Hacon participaram igualmente de todas as etapas da elaboracao do artigo.

Referencias

(1.) Nepstad DC, Moreira AG, Alencar AA. Floresta em Chamas: Origens, Impactos e Prevencao do Fogo na Amazonia. In: Ipam. Programa Piloto para Protecao das Florestas Tropicais do Brasil. Ipam: Brasilia; 1999.

(2.) Arbex MA, Cancado JED, Pereira LAA, Braga ALF, Saldiva PHN. Queima de biomassa e efitos sobre a saude. J Bras. Pneumol. 2004; 30(2):158-175.

(3.) Cochrane MA. O grande incendio de Roraima. Ciencia Hoje 2000; 27:26-43.

(4.) Fearnside PM. Desmatamento na Amazonia brasileira: historia, indices e consequencias. Megadiversidade 2005; 1(1):113-123.

(5.) Alencar A, Moreira A, Nepstad D. Floresta em Chamas: Origens, Impactos e Prevencao do Fogo na Amazonia. Brasilia/DF: Ipam; 2005.

(6.) Mahar DJ. Frontier development policy in Brazil: a study of Amazonia. Nova York: Praeger; 1979.

(7.) Nepstad D, Capobianco JP, Barros AC, Carvalho G, Moutinho P, Lopes U, Lefebvre P. Avanca Brasil: os custos ambientais para a Amazonia. Belem: Grafica e Editora Alves; 2000.

(8.) Barbosa RI, Fearnside PM. Incendios na Amazonia Brasileira: estimativa de emissao de gases do efeito estufa pela queima de diferentes ecossistemas de Roraima na passagem do evento "El Nino" (1997/ 98). Acta Amazonica 1999; 29(4):513-534.

(9.) Souza LSN. Analise de Impactos das Queimadas sobre a Saude Humana: Um estudo de caso do Municipio de Rio Branco, Acre [dissertacao]. Rio de Janeiro: ENSP; 2008.

(10.) Ferreira LV, Venticinque E, Almeida S. O desmatamento na Amazonia e a importancia das areas protegidas. Estud. av. 2004; 19(53):157-166.

(11.) Brasil. Ministerio do Meio Ambiente (MMA). Programa Piloto para a protecao das florestas tropicais do Brasil--PPG7. Diagnostico dos principais vetores, dinamica e tendencias do desmatamento no estado de Rondonia. Gabriel de Lima Ferreira--Produto 1 --Contrato no. 2009/00325--MMA/PNUD. Porto Velho, Rondonia: MMA; 2009.

(12.) Andreae MO. Biomass burning: It is history, use and distribution and its impact on environmental quality and global climate. In: Levine JS, editor. Global Biomass Burning: Atmospheric, Climatic and Biospheric Implications. Cambridge: MIT Press; 1991. p. 3-21.

(13.) Ribeiro H. Fossil fuel energy impacts on health. In: Unesco. Encyclopedia of Life Support Systems. Paris: Unesco; 2001.

(14.) Freitas SR, Longo KM, Dias MAFS, Dias PLS. Emissoes de queimadas em ecossistemas da America do Sul. Estud. av. 2005; 19(53):167-185.

(15.) Goldammer JG. Early warning systems for the prediction of an appropriate Response to wildfires and related environmental hazards. In: Health Guidelines for Vegetation Fire Events; Lima, Peru, 1998 Oct 6-9. Freigurg: Freiburg University; 1998.

(16.) Franca DA, Ferreira NJ. Consideracoes sobre o uso de satelites na deteccao e avaliacao de queimadas. In: XII Simposio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Goiania, Brasil, 2005 abr 16-21. Sao Jose dosCampos: INPE; 2005. p. 3017-3023.

(17.) Batista A. Deteccao de incendios florestais por satelites. Revista Floresta 2004; 34(2):237-241.

(18.) Guimaraes RJPS. Selecao das bandas do sensor Modis Airbone Simulator (MAS) na discriminacao de queimadas [dissertacao]. Sao Jose dos Campos: INPE; 2000.

(19.) Phulpin T, Lavenu F, Bellan MF, Mougenot B, Blasco F. Using SPOT-4 HRVIR and VEGETATION sensors to assess impact of tropical forest fires in Roraima, Brazil. International Journal of Remote Sensing 2002; 23(10):1943-1966.

(20.) Anderson LO, Aragao LEOC, Lima A, Shimabukuro E. Deteccao de cicatrizes de areas queimadas baseada no modelo linear de mistura espectral e imagens indice de vegetacao utilizando dados multitemporais do sensor MODIS/TERRA no estado do Mato Grosso, Amazonia brasileira. Acta Amaz 2005; 35(4):445-456.

(21.) Setzer A, Yoshida MC. Deteccao de Queimadas nas Imagens do Satelite Geoestacionario GOES-12 [relatorio tecnico versao 3.4]. Sao Jose dos Campos: DAS, CPTEC, INPE; 2004. [acessado 2008 nov 10]. Disponivel em: http://sigma.cptec.inpe.br/queimadas/v_ anterior/documentos/relat_goes.htm

(22.) Pereira G, Moraes EC, Arai E, Oliveira LGL. Comparacao das areas de queimada obtidas atraves de dados de campo e de dados do sensor CCD/CBERS 2. Anais XIII Simposio Brasileiro de Sensoriamento Remoto; 2007 abr 21-26; Florianopolis, Brasil. Sao Jose dos Campos: INPE; 2007. p. 1017-1022.

(23.) Pinto MLA. Relacao empirica da visibilidade com profundidade optica, concentracao de aerossois e focos de queimadas em Alta Floresta e Cuiaba, em 1993 e 1994 [dissertacao]. Sao Jose dos Campos (SP): INPE; 2001.

(24.) Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovaveis (IBAMA). [pagina na Internet]. [acesso 2008 nov 10]. Disponivel em: http://www.ibama.gov.br/

(25.) Pereira MC. Deteccao, monitoramento e analise de alguns efeitos ambientais de queimadas na Amazonia atraves da utilizacao de imagens dos satelites NOAA e Landsat, e dados de aeronave [dissertacao]. Sao Jose dos Campos (SP): INPE; 1987.

(26.) Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). [pagina na Internet]. [acesso 2008 nov 10]. Disponivel em: http://www.inpe.br/

(27.) Ribeiro H, Assuncao JV. Efeitos das queimadas na saude humana. Estud. av. 2002; 16(44):125-148.

(28.) Organizacao Mundial de Saude (OMS). Indicadores para o estabelecimento de politicas e a tomada de decisao em saude ambiental [mimeo]. Genebra: OMS; 1998.

(29.) World Health Organization (WHO). Health Guidelines for Vegetation Fire Events. Geneva: WHO; 1999.

(30.) Mascarenhas MDM, Vieira LC, Lanzieri TM, Leal APPR, Duarte AF, Hatch AL. Poluicao atmosferica devido a queima de biomassa florestal e atendimentos de emergencia por doenca respiratoria em Rio Branco, Brasil--Setembro, 2005. J Bras Pneumol 2008; 34(1):42-46.

(31.) Rosa AM, Ignotti E, Hacon SS, Castro HA. Analise das internacoes por doencas respiratorias em Tangara da Serra--Amazonia Brasileira. J Bras Pneu mol 2008; 34(8):575-582.

(32.) Castro HA, Goncalves KS, Hacon SS. Tendencia da mortalidade por doencas respiratorias em idosos e as queimadas no estado de Rondonia/Brasil--periodo entre 1998 e 2005. Cien Saude Colet 2009; 14(6): 2083-2090.

(33.) Ignotti E, Valente JG, Longo KM, Freitas SR, Hacon SS, Artaxo PN. Impact on human health of particulate matter emitted from burnings in the Brazilian Amazon region. Rev Saude Publica 2010; 44(1):121-130.

(34.) Carmo CN, Hacon S, Longo KM, Freitas S, Ignotti E, Ponce de Leon A, Artaxo P. Associacao entre material particulado de queimadas e doencas respiratorias na regiao sul da Amazonia brasileira. Rev Panam Salud Publica 2010; 27(1):10-16.

(35.) Rodrigues PCO, Ignotti E; Rosa AM; Hacon SS. Spatial distribution of asthma-related hospitalizations of the elderly in the Brazilian Amazon. Rev Bras Epidemiol 2010; 13(3):1-10.

(36.) Silva AMC. Quantificacao dos efeitos na saude da exposicao a queima de biomassa: uma contribuicao ao entendimento dos efeitos da exposicao ao material particulado ([PM.sub.2,5]) em grupos populacionais sensiveis na Amazonia Legal [tese]. Fiocruz: Rio de Janeiro; 2010.

(37.) Andrade VSF. Estudo da associacao entre material particulado emitido em queimadas e doencas respiratorias no municipio de Manaus, AM [dissertacao]. INPA: Manaus; 2011

(38.) Oliveira BFA. Avaliacao do risco a saude infantil relativa a exposicao ao PM25 proveniente da queima de biomassa no municipio de Tangara da Serra--MT. 2011 [dissertacao]. Fiocruz: Rio de Janeiro; 2010.

(39.) Saldanha CT, Botelho C. Queimadas e suas influencias em criancas asmaticas menores de cinco anos atendidas em um hospital publico. Rev. bras. alerg. imunopatol. 2008; 31(3):108-112.

(40.) Ministerio da Saude. Secretaria de Vigilancia a Saude. Vigilancia em saude ambiental relacionada a qualidade do ar--VIGIAR. Brasilia: MS; 2006.

(41.) Organizacao das Nacoes Unidas para a Educacao, a Ciencia e a Cultura (Unesco). Documento Tecnico contendo proposta de metodologia para implantacao de unidades sentinelas para a vigilancia em saude ambiental relacionada a qualidade do ar. Brasilia: Unesco; 2006.

Artigo apresentado em 01/04/2012

Aprovado em 19/04/2012

Versao final apresentada em 04/05/2012

Karen dos Santos Goncalves [1]

Hermano Albuquerque de Castro [2]

Sandra de Souza Hacon [1]

[1] Departamento de Endemias Samuel Pessoa, Escola Nacional de Saude Publica Sergio Arouca, Fundacao Oswaldo Cruz. Rua Leopoldo Bulhoes 1480/601, Manguinhos. 21041-210 Rio de Janeiro RJ. karengoncalves@ensp.fiocruz.br

[2] Centro de Estudos de Saude do Trabalhador e Ecologia Humana, Escola Nacional de Saude Publica Sergio Arouca, Fundacao Oswaldo Cruz.


Quadro 1. Principais estudos nacionais.

Referencias      Populacao                    Delineamento

Mascarenhas et   Todas as idades. Rio         Ecologico de serie
al. (30)         Branco, Acre                 temporal

Souza (9)        Criancas <4a e Idosos +      Ecologico de serie
                 de 65a. Rio Branco, Acre     temporal

Rosa et al.      Menores de 15 anos.          Transversal
(31)             Tangara da Serra,
                 Mato Grosso

Saldanha et      Criancas asmaticas <5a.      Ecologico de serie
al. (39)         Cuiaba, Mato Grosso          temporal

Castro et        Idosos acima de 65 anos.     Ecologico de serie
al. (32)         Rondonia                     temporal

Ignotti et       Todas as idades.             Ecologico de serie
al. (33)         Microrregioes da             temporal
                 Amazonia Brasileira

Carmo et         Todas as idades. Alta        Ecologico de serie
al. (34)         Floresta, Mato Grosso        temporal

Rodrigues et     Asma em idosos em todos      Descritivo com analise
al. (35)         os estados da Amazonia       espacial
                 Legal

Silva (36)       Todas as idades. Cuiaba,     Ecologico de serie
                 Mato Grosso                  temporal

Andrade (37)     Criancas com doencas         Ecologico de serie
                 respiratorias. Manaus,       temporal
                 Amazonas

Oliveira (38)    Criancas entre 6 a 14        Avaliacao de risco de
                 anos. Tangara da Serra,      exposicao ao [PM.sub.2.5]
                 Mato Grosso

Referencias      Resultados                  Desfecho

Mascarenhas et   Maior incidencia de DR      Atendimentos de
al. (30)         em criancas < 10 anos;      emergencia por
                 Correlacao positiva         doencas respiratorias
                 entre a concentracao de     e asma
                 PM 2,5 e atendimentos
                 por asma.

Souza (9)        Relacao entre o aumento     Hospitalizacoes por
                 dos focos de queima com     DAR
                 o aumento das
                 internacoes
                 hospitalares por DAR

Rosa et al.      Aumento das internacoes     Hospitalizacoes por
(31)             hospitalares por            DAR, pneumonia e
                 doencas respiratorias       Insuficiencia
                 no periodo das              Respiratoria
                 queimadas (seca)

Saldanha et      Relacao entre os            Aumento da proporcao
al. (39)         atendimentos por asma e     de atendimentos por
                 focos de calor              asma em criancas
                                             menores de 5 anos

Castro et        Relacao entre taxa de       Tendencia crescente
al. (32)         mortalidade por DAR e       dos obitos por DAR e
                 DPOC e o numero de          DPOC
                 focos de calor.

Ignotti et       Relacao entre PM25 taxa     Associacao com
al. (33)         de hospitalizacoes por      doencas respiratorias
                 doencas respiratorias e     dentre os grupos mais
                 complicacoes no parto       vulneraveis

Carmo et         Relacao entre               Um incremento de 10
al. (34)         [PM.sub.2.5] e              [micro]g/[m.sup.3]
                 atendimento                 nos niveis de
                 ambulatorial por            exposicao ao material
                 doencas respiratorias       particulado esteve
                 em criancas e idosos.       associado a aumentos
                                             de 2,9 e 2,6% nos
                                             atendimentos
                                             ambulatoriais por
                                             doencas respiratorias
                                             de criancas

Rodrigues et     Taxa padronizada de         No periodo seco
al. (35)         intern acoes por asma       verificou-se o triplo
                 em idosos e analise de      de internacoes se
                 kernel em periodo           comparado ao periodo
                 chuvoso, intermediario      de chuvas, com taxas
                 e de seca.                  mais elevadas em
                                             Rondonia e Mato
                                             Grosso.

Silva (36)       Relacao entre PM2.5 e       Associacao
                 taxa de hospitalizacao      estatisticamente
                 por doencas                 significativa entre
                 respiratorias em            PM2.5 e internacao
                 criancas e idosos           por doencas
                                             respiratorias

Andrade (37)     Relacao entre PM2.5 e       Associacao com a
                 taxa de hospitalizacao      umidade relativa do
                 por doencas                 ar e com o PM2.5
                 respiratorias em
                 criancas

Oliveira (38)    Avaliacao de risco da       Durante a estacao da
                 exposicao ao PM2.5 e        seca, a exposicao aos
                 criancas residentes no      niveis de PM2,5
                 municipio de Tangara da     representou risco
                 Serra, MT em 2008           toxicologico para
                                             criancas entre 6 a 14
                                             anos residentes em
                                             areas de queima de
                                             biomassa.

Citação da fonte

Citação da fonte   

Número do documento Gale: GALE|A344948222